Análise: Breath of the Wild: The Master Trials - Nintendo Fusion
Análise
Breath of the Wild:
The Master Trials
13 de dezembro de 2017

É natural que nossa primeira reação após completar um jogo que adoramos seja pensar “quero mais disto”. Considerando o histórico de lançamentos da série, é razoável supor que levará anos até vermos outro jogo como The Legend of Zelda: Breath of the Wild. Para saciar nossa vontade de explorar ainda mais Hyrule, há duas expansões sendo lançadas ainda este ano para o game. A primeira, The Master Trials, foca em dar acesso a diversos itens e funcionalidades especiais e em providenciar desafios ainda maiores para os jogadores que já completaram a campanha.

Utilidades, não tão úteis

Ao ativar a expansão dentro do jogo, recebemos diversas notificações sobre as novas side quests disponíveis. A maior parte delas são para coletarmos novos itens e roupas para o Link. Entre esses itens, encontram-se figuras memoráveis da série Zelda, como a Majora’s Mask, a máscara da Midna e roupas do Tingle. Além disso, há o Travel Medallion, que permite posicionar um ponto de fast travel no mapa.

Na altura em que eu me encontro no jogo, há pouca utilidade prática para esses itens. Porém, serviu como uma desculpa para explorar Hyrule novamente e, sinceramente, isso é tudo que eu queria. A exceção, em termos de utilidade, é a máscara Korok, que dá sinais audiovisuais quando há uma semente a ser encontrada por perto. Depois de tudo que joguei, ainda há quase 700 delas a ser encontradas.

A outra funcionalidade adicionada com esta expansão é o modo Hero’s Path, que mostra no mapa todo o trajeto feito pelo jogador por até 200 horas. Além de mostrar o trajeto em si no mapa, é possível “rebobinar” a linha e assistir, em tempo acelerado, ao trajeto se formando.

Tudo isso agrega valor ao jogo, mas, considerando as práticas de atualizações em jogos como Splatoon 2 e ARMS, tenho a impressão de que esse tipo de adição poderia ter sido incorporada gratuitamente. Do jeito que está, parece que a Nintendo estava apenas procurando motivos para justificar o preço da expansão. Por sorte, o restante do pacote faz isso de forma mais convincente.

Para quem quer mais Zelda

Como eu disse na análise do jogo original, o início de Breath of the Wild é uma das partes mais interessantes de qualquer videogame. O aspecto de sobrevivência gerado pela escassez de recursos é divertidíssimo; há jogadores que simplesmente jogam e re-jogam a área inicial sem progredir além disso.

No Trial of the Sword, a Great Deku Tree nos apresenta uma série de desafios que remetem a esse início do jogo. Os desafios são divididos em três níveis de dificuldade e, em cada uma delas, devemos abordar uma série de salas repletas de inimigos com uma quantidade bastante limitada de recursos. Cada etapa inicia com Link de cuecas e desarmado e fica a critério do jogador descobrir como enfrentar a primeira leva de inimigos.

Ainda mais do que no começo do jogo, o uso criativo de bombas, barris explosivos, pedras e do próprio arranjo da sala é essencial para obter sucesso. Armas quebram com facilidade e comidas são razoavelmente raras. Mesmo com 30 corações disponíveis, eu tive que refazer cada etapa algumas vezes até obter sucesso.

Curiosamente, assim como o jogo principal, os desafios ficam mais fáceis com o tempo ao invés de mais difíceis. Isso ocorre porque é possível tirar bom proveito das armas e comidas encontradas no começo do desafio para ter um estoque confortável delas ao final. Após cada confronto com um chefe, há uma área de repouso que fornece comidas e, em alguns casos, até mesmo fadas e roupas. O uso esperto desses recursos garante que, dali em diante, será mais fácil se curar quando necessário.

Não acho que isso é necessariamente ruim. Afinal, é algo que já vimos no jogo todo e, de certa forma, a relativa facilidade dos últimos desafios é consequência do bom desempenho do jogador nos primeiros. E, para aqueles que querem levar os desafios ao extremo, sempre é possível abordá-los com apenas três corações.

Para quem quer muito mais Zelda

Para prolongar ainda mais a aventura, há o Master Mode, que é “apenas” o modo difícil do jogo. Alguns Zeldas anteriores já contavam com o Hero Mode para isso, então continua sendo curioso este modo ser parte de uma expansão paga. A Nintendo tenta justificar isso oferecendo mudanças maiores do que apenas números ajustados, mas, na prática, o efeito não é tão diferente.

No Master Mode, todos os inimigos encontrados são de uma classe superior ao jogo normal. Por exemplo, os Bokoblins do Great Plateau que eram vermelhos passam a ser azuis, contando então com uma quantidade significativamente maior de vida. Além disso, há uma quantidade maior de inimigos, Link recebe mais dano por ataques, a vida de inimigos regenera com o tempo e há uma nova classe de inimigos acima da prateada: a dourada.

Sinceramente, achei demais. O que eu achava divertido no jogo original, como pensar em formas de derrotar vários inimigos com bombas ou pedras, deixa de ser útil aqui, porque os inimigos simplesmente têm vida demais para ser derrotados assim, e o dano causado é regenerado se o jogador não partir imediatamente para a ofensiva. Como muitas das armas do começo do jogo quebram facilmente, também é inviável abordar inimigos diretamente. Por um bom tempo, tudo que podemos fazer é roubar armas e sair correndo.

Há diversão a ser encontrada em tentar jogar Breath of the Wild de forma completamente stealth, mas, para mim, é tudo um pouco hostil demais. A todo canto tem um Lynel pronto para fazer chover flechas elétricas, e por tempo demais somos completamente incapazes de enfrentá-lo. E, apesar de toda essa dificuldade adicional, a longo prazo o jogo continua se tornando mais fácil. Afinal, as armas e comidas disponíveis escalam muito mais do que os inimigos que já começam fortes.

Isoladamente, The Master Trials traz uma série de adições que são muito bem-vindas no jogo. Para aqueles que ainda não completaram a campanha, diversas dessas adições se mostrarão legitimamente úteis e, para os que terminaram, são motivos para revisitar aquele mundo. O Trial of the Sword, em particular, agrega praticamente tudo de divertido no combate do jogo em um só lugar. Já o Master Mode é um verdadeiro desafio para aqueles que buscam isso, mas não foi o suficiente para eu querer rejogar a campanha toda.

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